quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Azuis.

Uma coletânea de magníficos
fracassos; um pot-pourri
de heroicas derrotas;
sublimes, amargas.

Interrompidos concertos; meias-
-verdades, incompletas tramas;
romances, dramas, mas nunca
documentários; calças jeans
como fantasias, pijamas
de listra como black
ties; amarras, nós,
correntes, cordões.

Padrões, listas, contas,
convicções pasteurizadas;
lógicas ranqueadas, renda bruta,
labuta, planilhas, grandes planos;
projetos e cortes de orçamento: azuis.

Perdas e ganhos; o que liberta?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dessas bandas.

Do som, das notas, dos timbres;
de todo chambre que repousa em tons
a melodia dos dias-fumaça, das noites
de aromas incomuns; do quebra-cabeça
de toda raça reunida, dos sabores
que se experimenta de um lado
e dos dissabores revisitados do lado de lá.

Da comparsaria cotidiana, da derivação
de toda filosofia para o chão comum;
do trânsito de sensações, das lembranças
das cores; da travessia; das dores
guardadas em quadros, fotografias;
do mosaico na parede que traz muito mais
que estáticos momentos: desenha a vida.

Das ilustrações animadas, das vozes-
-surpresas, dos sorrisos sinceros; da brisa
que refresca a alma; do sossego construído;
das etapas de vida se revelando; dos olhares
intransitivos; do ímpeto objetivo; do desejo
se fortalecendo; da força vital, da energia;
da existência levada a sério, com leveza.

Das várias formas de fluxo; das caras diversões
baratas; do peso da prata, da banalidade-metal;
dos caminhos espontâneos; do jeito que se dá;
das companhias certeiras; das possibilidades
vindouras; da beleza das ruas; das emoções;
do caminho que ficou pra trás, que ensinou
novas letras; das tretas de sempre.

Das vibrações que absorvo dessas bandas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Altos e baixos.

Altos;
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
[ ]
baixos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Lá.

De tão rubra aura quanto
possa refletir, do núcleo,
a estrela máxima do sistema,
irradio vida, liberdade.

De tanto fugir da persona-guia,
da sombra
faço luz, construo
força motriz.

De tanta alma que ofereço,
em tempos nublados, como os de
hoje, realinho as massas de ar,
faço clima, torno-me água.

Banho-me da serenidade celeste
dos dias que hão de vir.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Reflexo.

É desespero; a totalidade
não se quer; nada se espera
senão um suspiro sincero; tudo
é reflexo no espelho suspeito.

Bate forte o pulso, mãos trêmulas;
todo susto é perdoável; não existe
errado nem certo; nem de perto
me reconheço nessa falha cadência.

Consumo tudo o que é barato; de nada
aproveito; no imaginário, só o futuro;
que o presente seja atropelo e que dos cacos
seja feito um mosaico de verdades nunca reveladas.

Está feito; se bem ou mal, pouco importa; já partiu
esse barco; balançou na maré dos erráticos, navegou
na fantasia dos românticos, enfrentou a tempestade
dos céticos e, no espelho d'água, viu toda sua verdade
naufragar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Amargo agosto.

Sem sal, nem açúcar;
Café, nem pensar; muito
amargo esse dia; cento
e vinte minutos por hora.

Sinto muito; sinto o gosto
amargo das cento e vinte
horas; sal a gosto, sai
exagerado esse tempo.

É amargo esse agosto; nem
açúcar, nesse dia (ou
de noite): sinto cento
e vinte horas nesses minutos.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Nunca.

Não vamos falar
do que não se viu,
do que não se quer ver;
do que não curtiu no tempo.

Não vamos discutir o que não
aconteceu; o que projeta-se
no breu; de que se fala
por demais e muito
pouco se sabe.

Não vamos assumir
a conta alheia, a data
vindoura que jamais chegará,
a fala do tolo na praça central.

Não vamos falar de moral,
de finalidade, de total,
de regra geral, não
tracemos linhas
muito retas.

Nunca.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Vai e vem.

Vai subir no telhado
o gato; da caixa
o volume; na tabela
a corrida do praça.

Vai cair em descrença
o mito; em desespero
o grito; em desgraça
o jogo do craque.

Vai sumir o suspeito
do mapa; do gato, o grito;
do craque, o volume
de jogo; do mito, o telhado.

Vai surgir da caixa
o grito; do craque,
a tabela, a corrida;
na praça, o sujeito.

E nada mais restará,
senão descrença,
desespero
e desgraça.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sangue.

Há sopro, há risco,
há sangue, rabisco,
rascunho de letra;
sentença, sujeito.

Um puzzle; ruído
de rima; modelo
de bloco, calhamaço;
há sangue nos olhos.

Oxigênio rarefeito;
cadência cardíaca;
do mercado, exigência;
há sangue nos bolsos.

É rubra nossa existência;
pois, há sangue nos dedos,
na cuca, nas vias que transportam
o corpo, o sangue, o oxigênio.